quinta-feira, 28 de junho de 2018

EFT -Acupuntura sem agulha (método tapping)



É geralmente apresentada como a ferramenta que promete «devolver-nos controlo sobre o nosso corpo, reprogramando o nosso cérebro para agir como queremos».
A promessa é poderosa e os pressupostos que a encerram atrativos. Quem a defende fala em «esultados quase imediatos», «de forma autónoma» e «sem custos». E o princípio base que a rege é quase tão simples quanto complexo. 
«No nosso corpo temos pontos, pequenos botões, que podem acionar em nós o bem-estar que tanto procuramos», escreve Louise Fannon. «Se ao toque associarmos frases que vão ao encontro daquilo que sentimos, podemos realizar grandes transformações em poucos minutos», refere ainda a psicoterapeuta, em «Curar em Minutos», um livro de autoajuda sobre a EFT, a sigla de emotional freedom techniques.
Também conhecida por acupuntura psicológica ou emocional sem agulhas ou tapping (acupressão), pressupõe que «o distanciamento emocional do problema permite ao seu corpo relaxar, recompor-se e revitalizar-se de forma natural». Libertar-se de situações como dor, ansiedade, stresse ou fobias.
Toque e pensamento
O boom da EFT é recente. A técnica, contudo, nasceu há já alguns anos, na década de 1990, sendo «resultado da combinação de culturas muito distintas: a medicina tradicional chinesa (nomeadamente a sua prática terapêutica, a acupressão) e a psicologia moderna (incidindo sobre a observação do mundo subjetivo interior: as emoções, os pensamentos, as memórias, as sensações, os impulsos, os desejos, a imaginação e as intuições)», indica Louise Fannon.
«É baseada», acrescenta, «na descoberta de que a causa de todas as emoções negativas deve-se a uma interrupção no sistema de energia do corpo» Reequilibrar este fluxo energético é, assim, a função desta ferramenta que recorre «a toques ligeiros com os dedos nos pontos de acupuntura-chave», enquanto «focamos a nossa atenção no desconforto emocional ou físico e na sua causa, repetindo uma sequência de frases específicas.»
A teoria da energia
A acupuntura tradicional pressupõe que, explica Louise Fannon, «tal como o universo, o corpo humano também é constituído por energia, conhecida por energia subtil chi ou força vital», que circula por canais energéticos, os meridianos. A existência de um problema físico ou emocional, segundo esta medicina milenar chinesa, significa «que a energia não circula livremente devido a um bloqueio por excesso ou deficiência de energia ao longo de um dos meridianos, em determinada função energética do órgão ou sistema interno do corpo, podendo originar doenças».
E é aqui que a acupuntura, através da inserção de agulhas em pontos cutâneos específicos, pode favorecer «a livre circulação e distribuição da energia pelo organismo, fazendo com que os órgãos e sistemas se harmonizem, permitindo ao corpo retomar a sua capacidade inata de autocura.» Este efeito é replicado pelo tapping, nomeadamente com a «pressão dos dedos, massagem (ou de pequenas batidas sequenciais)», descreve.
O efeito neurológico
A mecânica do tapping a nível cerebral ainda não foi totalmente esclarecida. Segundo Louise Fannon, crê-se que esta ferramenta permite «desligar o nosso sinal de alarme primitivo, a amígdala, desativando os caminhos neuronais responsáveis pela reacção de stresse ou de luta ou fuga».
«Quando nos sintonizamos com as emoções negativas e identificamos a causa, por exemplo, uma memória dolorosa, apesar do potencial para disparar a amígdala, se estimularmos os acupontos, ao mesmo tempo, estaremos a enviar-lhe estímulos electromagnéticos que a informam de que o corpo está bem e seguro. A amígdala, percecionando essa causa como não sendo ameaçadora, informa o hipotálamo para que desligue a reação de luta ou fuga (...) O corpo já não entra no círculo vicioso de produção de cortisol e adrenalina que iria invadir o nosso organismo», exemplifica.
Exercício antistresse
Esta ferramenta recorre a toques ligeiros com os dedos nos pontos-chave de acupuntura, enquanto nos focamos no desconforto e repetimos uma sequência de frases específicas.
Tapping
«Repita esta sequência as vezes que forem necessárias até sentir que libertou toda a tensão do seu corpo e da sua mente», recomenda Louise Fannon, psicoterapeuta, em «Curar em Minutos»:
Toque: Ponto de karate
Pense: Apesar de sentir stresse, eu aceito esta emoção.
Toque: Ponto de karate
Pense: Apesar de sentir esta dor no meu corpo por causa do stresse, eu aceito-me e ao meu corpo profunda e completamente.
Toque: Ponto de karate
Pense: Apesar de me sentir stressada e isso estar a refletir-se no meu corpo e na minha vida, eu escolho libertar esta tensão da minha mente e do meu corpo.
Toque: Início da sobrancelha
Pense: Este stresse.
Toque: Canto do olho
Pense: Esta tensão na minha mente e no meu corpo.
Toque: Debaixo do olho
Pense: Esta preocupação.
Toque: Debaixo do nariz
Pense: Esta dor no meu corpo.
Toque: Queixo
Pense: Deixo partir todo este mal-estar agora.
Toque: Clavícula
Pense: Permito-me libertar todo este stresse, acalmar a minha mente e relaxar o meu corpo.
Toque: Axila
Pense: Eu escolho sentir-me calma, relaxada e sob controlo.
Toque: Topo da cabeça
Pense: Eu amo-me, aceito-me e perdoo-me profunda e completamente
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