quinta-feira, 3 de março de 2011

" O CORTE"





















Enquanto crescia, sentia o mundo contraindo-se perante a mim.
Em minha volta tudo parecia estreito, pequeno,sem fronteiras.
E eu crescia em observações.
Crescia em dúvidas.
Crescia em volta de mim mesma. E crescia por dentro.
Crescia os olhos sobre um futuro inatingível,
e o via ficando mais distante.
E chorava por crescer a cada instante.
E não me sentia acompanhada, sentia -me solitária em uma redoma invisível.



















Minhas raízes só cresciam de forma desastrosas, profundas como um abismo.
E rasgavam a terra enquanto procuravam espaço
E mais fundo se lançavam.
E sem nemhum limites, não paravam.
Alimentado-se de falsos nutrientes
Sorvendo o líquido poluente dos enganos.
Ocultando-se da luz que lhe faria uma árvore frondosa.
Se fosse uma hera maldita não se espalharia tanto!
E numa venenosa caminhada arrastava-se sem direção.

Mas o tempo se ocupou de encobrir meu menor desastre
mostrando apenas a pior das minhas faces,
a máquina violadora que a tudo devora,
e um corpo sedento sem válvulas de segurança,
que nunca para, nunca para.

Tentando encontrar absolvição para tantas desventuras,
procurei buscar a salvação, a minha cura.
E vasculhei por terras desconhecidas, e risquei muitos nomes das listas.
E quando pensei qua havia terminado minha busca,
que havia encontrado o ser que falava  minha língua...
apenas era alguém, com pensamentos como tantos outros... a ser cortado da minha vida.