quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

"Esperança"
















Ainda era noite...
Em volta da carruagem ouvía-se o canto do lamento cigano.
Não sabía-se  ao certo quem cantava...mas a dor
que aquela melodia entoava,doía,matava!
Ela, rodopiante,atrevida...bailava.
A brisa fria da madrugada beijava sua saia, e a terra gelada, com o calor dos seus pés se acomodava.
Ninguém conseguia entender como nunca parava...seu corpo contornavá-se por entre todos que á admirava! Esperança.
Esse foi o nome mais desejado!
Poderoso e atrevido,forte e determinado!
 Em seus cabelos a fita esverdeada,
No seu quadril um demônio a comandava.
Ninguém poderia deter seus encantos... Esperança era malvada!
Não tecia planos para o futuro,
Não foi prometida como tantas outras,
Não usou de ponderação com as palavras, mas sabia prender um homem apenas com um olhar!
Sabia destilar seu veneno num sorriso malicioso!
Em suas mãos o malabarismo que a tudo girava,
Em suas coxas muitos perderam-se sem volta!
Mas havia um homem que a ela não se rendia...que era o único que a dominava!
Em seus braços tornáva-se criança,não tinha poderes, ficava desarmada!
Em seu colo chorava as desventuras...não queria ser adulta,queria ficar alí.
Em seus beijos demonstrava verdade,cantava o amor e esperava ser resgatada.
Mas ao final de cada noite, lá estava solitária a bailar,
O homem dominante a ela não se entregava.
Finalmente cansada de tanta espera, adormecia sob as cinzas da fogueira.
Dizem que ela virou uma lenda...que vive a enfeitiçar os homens por onde passa,
Dizem que não encontrou a morte..a morte por ela não se encantava,
Dizem que Esperança vive a vagar...buscando por entre tantas faces a do seu amado,
Dizem que ela nunca desistiu!
Que seu nome é uma profecia...a cigana que sempre foi livre!
Buscando seu amor que ainda a mantém viva!