quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

" Os gritos em mim"






Os gritos!
Os gritos...continuam a invadir o espaço do meu inconsciente.
Os ouço alucinadamente, invasores não convidados...ferozes e audaciosos.
Impregnada de dúvidas sobre a minha própria identidade...vejo os rostos muitas vezes disformes,sem uma personalidade exata,sem um cheiro conhecido, uma pele já tocada.
Essses gritos saõ pobres...pobres gritos orfãos. Não podem cobrar nada, pois não há que os ouça...senão "eu".
Queria deixar tudo como está, permanecer nessa inconstância doentia, essa farsa que aniquila.
Mas não estou sozinha, sinto o cerco fechando-se, estou sendo observada...
mas não poderão escutar meus gritos. Isso não.
Se choro me conformo,
Se rio, a dor aumenta...
Sou da tempestade e a tormenta me agrada....sou as cinzas.
O céu que agora escurece me traduz segurança , não quero dormir...sou vítima dessa condição estranha...
Mas quero ser criança também, ser leve ,voltar andar descalsa sem medos das pedras do caminho.
Quero também poder amar de verdade...ou será que amo todo o tempo?
Ou não amo nada!
Tenho um mar de razões para acreditar, que em tudo posso navegar ...mas um continente me puxa pra realidade .
Os trigos estão prontos...mas a colheita está sem voluntários. Não aceito regras...faço ao meu modo.
Me acorde desse pesadêlo, ou me deixe para sempre nele...não me dê um rosto definido, mas me chame quando precisar.
Não queira entender a mulher que existe em mim. Ela é perversa! Quando não beija ",Mata"!
Quem vai correr esse risco, por que? Pra que?
Há tantas paisagens primaverís e suaves...não queira andar por folhas secas de um outono, não deite a sombra de uma árvore sem galhos.
Meus instintos são desconhecidos...não sei de que forma podem apresentar-se.
Apague as luzes, permita que eu repouse um pouco na tua paz... esquecer os gritos. Seus braços podem me dar o que preciso, só por momentos indefinidos... não sei até quando.