domingo, 19 de dezembro de 2010

" Estígmas"









Estou pisando em folhas secas, enquanto escuto o silêncio do mundo,

E as árvores do outono agora são solitárias...como eu.

As chagas me são incompreensíveis...não consigo fechá-las, parecem estígmas.

Pobres passos para o além...sem rumos definidos,uma busca na escuridão.

Vazio constante,morte diária, morro todos os dias...é preciso

Renovando-me para a esperança, que sendo eterna...é também enigmática, e cruel!

Queria ser uma imagem pincelada, dessas onde os traços são abstratos...mas que são melhores interpretadas.

Estou perdendo a noção do tempo,estou fora do controle...isso não é bom sinal!

Estou sentindo a terra tornar-se mais árida...os pés querem descanso.

A alma chora e quer colo,

Os sonhos precisam acordar,

O coração deseja parar de bater descompassado,

Meu corpo inteiro são chamas, lentas e destruidoras

Me deixe, ou me tome por inteira

Me queira, ou destrua de uma vez

Estou sem lágrimas,mas choro pelos poros

Uma chuva forte dentro de mim, inundada...afógo-me!

Salve-me! ou escondá-se!

Quero o doce que manterá suave meu paladar...mas não me enganes , ao oferecer-me veneno!

Eternos são os diamantes...brutos na sua essência...lapilados serão jóias valiosas!

O mesmo cuidado preciso, o mesmo cuidado ofereço.

Agora preciso continuar, a pisar na trilha deixada pelas folhas secas, que o vento carinhosamente levou.

Até os ventos amam...eles carregam folhas secas por onde passam.