segunda-feira, 15 de novembro de 2010

" Ecos "






Sinto o vento gelado a bater em meu rosto pálido,sombrio e triste!
Escuto aos pés da imensa pedra,os ecos fúnebres das ondas num vai e vem sem fim.

O ar cinzento da tarde,me trás lembranças dos tempos em que era apenas uma criança...pés descalsos,risos soltos a ressoar pelos ares.

Onde se perdeu tudo isso? Não encontro mais a larva que rastejava na terra molhada, ou a raposa imponente que rasgava seu olhar faminto, á certa distância .

Quero viver minhas boas lembranças! Quero sair de manhã cedo,deitar nas folhas secas do outono e sentir o cheiro da torta, de todas as tardes!

Não sou mais aquela criança. Sou uma doidivana...mulher vazia,beirando a loucura de divagar em imagens perdidas.

Tudo é tão incerto...quarto sombrio,uma luz de vela aos fundos, o meu expectro gemendo de dor!

Pareço-me agora um quadro de Monet, que de tão belo no passado,perde-se as cores,foi largado num canto úmido e empoeirado deixando-lhe desfigurado...imagem da solidão.

As memórias do que vivi são belas! Mas as que reneguei ,são fantasmas arrependidos!

Daria tudo para acordar ! Faria de tudo para trazer minha vida de volta...calma,serena, como outrora.

De novo ouço os ecos...pássaros entrépitos a romper as nuvens numa dança de migração,estalos de alguns galhos feitos por animais correndo...e, posso ouvir muita coisa agora, estou sozinha em meus pensamentos, queria ouvir seus passos, "Vida", que faço agora?