quinta-feira, 30 de setembro de 2010

" Invasão"


Estante empoeirada,um abajour no canto refletia uma luminosidade nostálgica.

E eu alí. Olhar estático ,distante, perdida em mil pensamentos vagos e tristes.


Uma fumaça subia da chícara de chá, que logo torna-se-ia fria,sem ao menos ser provada.


Um aperto no peito,invadindo meu íntimo,querendo explodir de desejos, saudades e medos.


Foi muito intenso no início! Depois, aos poucos foi sumindo,sumindo e evadiu-se. Uma dor crucial dilacerando as entranhas,um súbito desejo de tê-lo,descobrir realmente seu ensejos. Mentira? Naõ dava para descrever.


Sei que tudo ía bem. Risos constantes percorriam nossa face feito crianças, não haviam cobranças, temor pro futuro. Apenas uma vontade de estar juntos todo o tempo.
E eu ,sempre a esperar. Feito uma peça de porcelana na estante,intocável e branca ,puro desejo de recordação.
Crueldade,amor doente. Chegou invadindo minhas estranhas, sem pedir permissão. Saiu,cortando as etapas dos meus ansêios sem dó, nem piedade.
O que me restou afinal? Ainda ficaram os espectros sinistros da dor rondando meus pensamentos. Sou como parte de um ambiente frio,solitário,inabitado.