sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

'Passos'










Estradas são feitas para caminhar, não importando de que forma seus passos serão dados.
Se serão passos curtos ou largos,
tímidos ou atrevidos,
idealizadores ou pragmáticos,
Mas serão sempre... passos.
Na medida que cresce nossas expectativas para alcançar o objetivo almejado...tornam-se apressados, os passos.
No momento que corremos pro abraço desejado...são passos apaixonados,
Na decisão a ser tomada...passos estressados,
Na hora do sim no altar...passos compassados,
Na hora de fugir do encontro...são passos em falso,
No momento de andar de um lado pro outro...são passos duvidosos,
E na indecisão de que lado ficar...passos amendrontados.
Em que momento decifrar os passos sensatos? Difícil saber de fato!
Passos, serão sempre passos...não importa de que forma serão tomados,
Haverão de serem dados,
Haverá alguém que ficará parado,
Haverá alguém por caminhos opostos....mesmo desejando estar do mesmo lado.
Haverão passos dolorosos, alegres,faceiros e mentirosos...
mas qual passo estará tomando agora?
Pense antes de dar o seu primeiro!
Nem sempre os passos conservam seus rastros...pois alguém terá motivos para apagá-los.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

" Tudo passará"







Sei que uma hora tudo passará...tudo mesmo!

Só queria não possuir mais um coração...e sim, um relógio.

Relógios são feitos para marcarem o tempo e seguirem, não esperam e não voltam atrás.

Relógios param,quando quebram...mas ao serem concertados, seguirão e não trarão de volta, os segundos .

Assim serei daqui por diante. Possuirei um marcador de tempo...e ,sem demora tudo passará á frente.

Os rios correm numa só direção,as chuvas vem do alto,a terra suga suas gotas...e eu ,não absorvo mais nada!

Não quero abrir minha gaveta e olhar os escritos,relembrar fatos,fotos,traças...o passado.

Tenho uma chama que nunca se apaga..e é dolorosa! Queima sem parar e não acho quem a extermine!

Essa chama que se espalha ,deseja tomar quem estiver por perto, só faz sofrer a mim mesma.

Minhas chamas não me deixam... não me deixam

O arco -íris que existiu em mim desapareceu aos poucos...não vejo mais suas cores!

Não viajo mais nos seus sonhos...sonhos de felicidade!

Mas sou uma criatura...isso sei que sou.

Sinto lama embaixo dos pés...e estou afundando...não encontro resgate, estou sozinha.

Mas em breve acordarei desse sonho...sei que estou dormindo.

Quando os olhos abrirem-se para a realidade...

serei de novo a imagem idealizadora de alguma mente inconformada...

procurando se encontrar.







terça-feira, 21 de dezembro de 2010

"Nada é por acaso'







Inatingível!!!

Seria de fato.

Até conhecê-la. Experimentando o torpor que suas palavras causaram em sua mente.

Vivas e tão absurdas as vezes...quis recuar, sendo em vão.

Buscou por entre as páginas do seu imaginário, fantasias que trouxessem explicação...quem era ela de fato?

Um reflexo de seus desejos mais ousados,ou a mulher especial...aquela que buscava?

Não sabe ainda, mas entrou num caminho sem volta...ainda que seguro,estará sempre com essa melodia nervosa, pedindo que a toque...

que a toque,

que a toque...

Em seus dedos, toda a maestria dos grandes acordes...e vibra pelo ar os sons dos gritos da paixão!

Em sua memória lembranças cifradas...como esquecer?

Ela talvez nem percebesse o que estaria por vir...mas agora, deseja experimentar!

Ele doce e calado! Selvagem na essência...não tem limites para dizer o sente,fazer o que deseja!

Ambos ,tomados de euforia...tocam juntos na mesma sincronia,

E a dança envolvente os fazem girar freneticamente...não param,é loucura!

Na capacidade existente... entre duas pessoas tão diferentes...

ligarem-se por puro entusiasmo!

Nada é por acaso...nada é por acaso!

Ainda bem que ela não pertence a ninguém,

Ainda bem que ele está acreditando!

domingo, 19 de dezembro de 2010

" Estígmas"









Estou pisando em folhas secas, enquanto escuto o silêncio do mundo,

E as árvores do outono agora são solitárias...como eu.

As chagas me são incompreensíveis...não consigo fechá-las, parecem estígmas.

Pobres passos para o além...sem rumos definidos,uma busca na escuridão.

Vazio constante,morte diária, morro todos os dias...é preciso

Renovando-me para a esperança, que sendo eterna...é também enigmática, e cruel!

Queria ser uma imagem pincelada, dessas onde os traços são abstratos...mas que são melhores interpretadas.

Estou perdendo a noção do tempo,estou fora do controle...isso não é bom sinal!

Estou sentindo a terra tornar-se mais árida...os pés querem descanso.

A alma chora e quer colo,

Os sonhos precisam acordar,

O coração deseja parar de bater descompassado,

Meu corpo inteiro são chamas, lentas e destruidoras

Me deixe, ou me tome por inteira

Me queira, ou destrua de uma vez

Estou sem lágrimas,mas choro pelos poros

Uma chuva forte dentro de mim, inundada...afógo-me!

Salve-me! ou escondá-se!

Quero o doce que manterá suave meu paladar...mas não me enganes , ao oferecer-me veneno!

Eternos são os diamantes...brutos na sua essência...lapilados serão jóias valiosas!

O mesmo cuidado preciso, o mesmo cuidado ofereço.

Agora preciso continuar, a pisar na trilha deixada pelas folhas secas, que o vento carinhosamente levou.

Até os ventos amam...eles carregam folhas secas por onde passam.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

"Lembranças"









Onde escondes tú ó imaculado? Te busco por toda parte!

Nas entranhas da minha alma esconde o conteúdo da tua carta imaginária...letras formadas de desejos inconcebidos.

Quando por diversas vezes rasgastes inúmeras, na tentativa de enviar-me.

No porão que a dor fechou nossas lembranças,ainda possuo bem guardada a chave.... abriria um abismo quando de novo te encontrasse.

Nunca conheci o poder do teu amor intensamente...covarde e infantil, não encontrei tais razões.

Não houve tempo.

Como fugitiva partir...e no retorno ,tú perdeu-se de mim.

Pobre criatura que sou. Escrava de lembranças ciganas que não se pode manter por grilhões.

Carruagem de fogo que levou-te para longe...sei que não deverás mais voltar!

Culpada , culpada até o último parágrafo da sentença ...condenada por executar nossas chances.

Ainda na mesma condição de humana que sou...queria o poder de Pandora, ter em minhas mãos o único bem que conservastes...a esperança .

Dentro das possibilidades que temos, a esperança poderá nos dar dois caminhos...

Mas de nada adianta tentar abrir a caixa...deixarei lacrada.

Conheço bem o resultado desse adeus,

dessa fuga insana! A solidão.





quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

" Seu chamado"






Estou a correr todos os riscos!

Bater de frente com uma avalanche de desejos...

impulsionada e entregue, instinto quase animal...fera a procura de sua presa!

Travando uma guerra entre o frear ,ou morrer em seus braços!

Quero sim. Quero beber desse líquido letal que vem de tua boca.

Preciso sentir o cheiro inebriante que sai dos teus poros...inebriar-me como selvagem que sou!

Teus arranhões em mim são como letras declarando um decreto! Que sou tua !

Ainda que digas que tudo um dia passará...tua marca está tatuada em minhas entranhas.

Não possuo força absoluta para deter o que vem de tua mente...

imagens que me fazem andar de olhos fechados, morder os lábios até sangrá-los!

Estranho que possuas tanto poder sobre mim...sei que estou insana! Você faz isso.

O caminhar de teus dedos são passos para o abismo...e caem sem culpa, sem pudores!

Seus olhos são espelhos onde encontro a imagem que desejo enxergar!

Sua boca, a fonte que mata a sede desértica...um poço onde quero afogar-me!

Ainda posso ouvir sua voz dizendo-me...vem e fica!

e continuo ouvindo mesmo quando se vai...frequências de sons clandestinos!

Roubaste minha paz, meus limites e extraiu o mais íntimo em mim.

Tudo tem um preço...um de nós irá pagar caro! Sei disso.

Não quero pensar agora. Quero mesmo é me perder...e não quero ser encontrada,

a não ser por seu chamado.


" Meu castelo"






Finalmente posso respirar!
Encontro dentro do peito a força necessária para sair de meu castelo.
Sem as sombras de um passado distante que tanto me perseguiam,
que tantas vezes me diziam ... "nunca conseguirás!".
Os ecos raivosos dessa sombra por anos serviram-me de guia...como cega e amedrontada tranquei-me.
Ainda lembro-me bem de ouvir aquela sombra, pedindo-me companhia em seu desfecho final...
exalando o gás mortal e o fogo que logo viria.
Terrível assombro em meu corpo ainda infantil...implorando-lhe...ainda não quero partir!
E as paredes do castelo inundadas de medo, revolta ...foram iluminadas pelo olhar do criador!
Ainda sem entender tantos desajustes...só persebi que estava salva! E a sombra ainda arrependida, pedia para calar-me! Para sempre.
No fosso escavado do meu passado ,estão guardados tristes recordações...lágrimas que impediriam qualquer inimigo de ultrapassem os portões do castelo.
Mas a criança cresceu, não aceitava mais um nome...ele não guardava bons presságios!
Sempre ouvira a sombra gritar ,murmurar... e nada, calava seus gritos...nem o tempo!
Por muitas vezes mudei de castelo. Encontrara abrigo em braços amigos...crescendo acreditando que nada seria... uma incapaz!
Voltara mais tarde ao antigo castelo...para cumprir uma obrigação!
A" incapaz" assumira sua torre! Aprendera como ninguém a manusear bem uma espada, visualizar do alto os inimigos.
Mas dentro do próprio castelo...ainda permanecia a sombra, agora mais fraca , sem luminosidade definida.
A batalha interna só estava começando. Foram anos intermináveis....mas aprendi que poderia conviver com o inimigo.
Mas...como tudo tem um fim, a sombra pediu que não a abandonasse...que não fugisse como todos os outros.
Senti que as paredes do meu castelo não eram mais necessárias para um refúgio. A sombra deixou de existir...sua aparência ainda guardo, enquanto era meu foco de luz...ainda ingênua.
Hoje posso sair pelos campos, sentir o vento suave beijando minha face e fico agradecida por ter sido forte desde o dia em que nasci.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

" Os gritos em mim"






Os gritos!
Os gritos...continuam a invadir o espaço do meu inconsciente.
Os ouço alucinadamente, invasores não convidados...ferozes e audaciosos.
Impregnada de dúvidas sobre a minha própria identidade...vejo os rostos muitas vezes disformes,sem uma personalidade exata,sem um cheiro conhecido, uma pele já tocada.
Essses gritos saõ pobres...pobres gritos orfãos. Não podem cobrar nada, pois não há que os ouça...senão "eu".
Queria deixar tudo como está, permanecer nessa inconstância doentia, essa farsa que aniquila.
Mas não estou sozinha, sinto o cerco fechando-se, estou sendo observada...
mas não poderão escutar meus gritos. Isso não.
Se choro me conformo,
Se rio, a dor aumenta...
Sou da tempestade e a tormenta me agrada....sou as cinzas.
O céu que agora escurece me traduz segurança , não quero dormir...sou vítima dessa condição estranha...
Mas quero ser criança também, ser leve ,voltar andar descalsa sem medos das pedras do caminho.
Quero também poder amar de verdade...ou será que amo todo o tempo?
Ou não amo nada!
Tenho um mar de razões para acreditar, que em tudo posso navegar ...mas um continente me puxa pra realidade .
Os trigos estão prontos...mas a colheita está sem voluntários. Não aceito regras...faço ao meu modo.
Me acorde desse pesadêlo, ou me deixe para sempre nele...não me dê um rosto definido, mas me chame quando precisar.
Não queira entender a mulher que existe em mim. Ela é perversa! Quando não beija ",Mata"!
Quem vai correr esse risco, por que? Pra que?
Há tantas paisagens primaverís e suaves...não queira andar por folhas secas de um outono, não deite a sombra de uma árvore sem galhos.
Meus instintos são desconhecidos...não sei de que forma podem apresentar-se.
Apague as luzes, permita que eu repouse um pouco na tua paz... esquecer os gritos. Seus braços podem me dar o que preciso, só por momentos indefinidos... não sei até quando.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

" Escute o silêncio"

Estou a escutar o silêncio do mundo....o balançar dos galhos das árvores em tardes de outono,
Sempre gostei do outono,um pouco mais do inverno.
Continuo escutando, escutando e pensando...
Por que será que todos creem, que os beija-flores não tem pés?
Ou será que a lagarta no seu cazulo sente solidão, será?
As raízes expostas das velhas matriarcas ,tem histórias de velhos amantes...onde deitado aos seus pés faziam juras de amor!
A terra úmida da chuva que acabara de cair,exala um aroma de infância perdida...lama,banho na lama.
E o silêncio fica maior na medida que me aprofundo nas indagações. O vento quer sempre dizer-nos algo, acho que muitas vezes, sim. O som uivante rasgando o espaço, nos chega de acordo com nossas expéctativas!
Os pássaros dialogam entre sí, gostaria de poder interagir...deve ser uma conversa sem dor,ódio,vingança. Os pássaros nunca tramariam uma cilada!
Mas o silêncio as vezes nos amendronta , na medida que os perigos da mente se manifestam tecendo tramas.
As paredes internas do inconsciente tem um acústico sombrio...são enigmáticas,imprevisívéis.
Não consigo conectar-me mais com a existência externa, enquanto não sondar tudo ao meu redor...nesse silêncio profundo em que escuto o mundo...
Preciso urgente de respostas, pois não tenho sido bem avaliada. Os ferrões me ferem as vezes sem que eu não saiba... não entendo, o porquê.
Não quero deixar o silêncio partir...ele me tem guardado em lugar seguro.
Apesar dos questionamentos de tantos absurdos...aqui sinto-me livre das respostas!
Não quero precisar dizer... o que querem escutar...quero falar, expressar o meu momento sem estar mexendo com os brios de alguém.
Na verdade, todo mundo quer ter ,sentir e viver um momento confuso e atrevido...mas não parou para escutar o silêncio do mundo, e ouvir primeiro o que ele tem a lhes dizer.

domingo, 5 de dezembro de 2010

" PECADOR"










Estou te ouvindo.

Ah...! O que me dizes amor é pura insanidade!!!

Dar-te os meus segredos mais profundos e deixar que me domines...

Como podes ser tão atrevido?

Não te contarei nada,não me encatarei mais por ti,

Vassalo rebelde! Covardia tem limites.

Tens povoado minha mente feito invasor perigoso,

Atravessas meu peito rasgando uma batalha desigual...não posso competir com tú, és mais forte que minha vontade de reprimi-lo.

És tão envolvente... que as armas que possuo,tornan-se ineficazes aos seus argumentos.

Quando me tocas queimo em brasa! Arde-me até a alma, se é que ainda a possuo.

Um turbilhão de sensações com gosto de desejos secretos,pecaminosos e até perversos me perseguem!

Queres possuir tudo em mim,ao meu redor, meu ar...ah! Como gosto disso,muito!

Quero sim. Quero você como nunca imaginei uma entrega sem limites!

Estou desarmada,desprotegida,perdida...por você!

Sei o que quer,

Sei como quer,

Sei como vai obter...

Estarei cedendo,

Estarei cantando,

Estarei chorando..de prazer!

Estarei te esperando,gemendo,rindo,clamando...orando uma preçe profana a tua imagem.

Pecador!

Alquimista das minhas emoções,téns a fórmula exata para me conceber, em sua divina descoberta.

Pai da luxúria! Me embriaga com o vinho que derrama de ti,

Me cubra com o manto do seu corpo, a seda das tuas mãos a deslizar-me por inteira!

Me apavore dizendo...vou embora. Mas fica, e me beije ardentemente como nenhum ser nesta terra foi capaz.

Quantas vidas terei que dar-te? Já roubaste a primeira...os acordes!

Quantas noites ficarei sem dormir? A te esperar entrar no meu quarto feito um holograma perfeito!

Quero que me digas de verdade...É loucura o que sinto,vejo,espero?

É desigual a chama que arde em nós?

Que preço terei que pagar para não dividí-lo com mais ninguém? Estou possessa,juro!

Não imagino nem nos mais simples sonhos,você sondando outro corpo.

Não aceito, saberei.

Difícil ter que revelar...

O mais difícil é acreditar...que tú existes

Que tú me completas.







sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

"Um presente do passado"


O céu da minha boca guarda segredos... Menos o seu.
Um beijo roubado,assanhado,quase infantil. Então... foi assim.
Quem será esse homem?
Perguntava insistentemente a mim mesma, enquanto decidia não ver o recado.
Curiosa como sempre,não resisti.
Uma onda nefasta envolveu-me,precisava desvendar esse invasor que pedia desculpas,mas não
me esqueceria.
Em meio a tantos personagens ao longo da minha estrada, jamais pensei que fosse encontrada, logo por ele...sem nome.
Confessou-me antiga paixão infantil,relembrou os tempos em que deixavá-me em casa após a aula, um cordial garoto...um príncipe.
Jurei que não guardava tais lembranças. Não as guardei mesmo.
Fui ingrata, sei. Mas que fazer se não o encontrava no calabouço da memória?
Tocada profundamente por suas palavras fui voltando ao passado. Alguns fatos foram sendo visualizados,fiquei feliz! Muito.
Nosso reencontro foi marcante,trinta anos haviam-se perdido no tempo. Éramos estranhos ?Engraçado.
Nova despedida,
Um beijo roubado...como desejei poder ter voltado.
Um susto! Delicioso e inesperado.
Deixamos mesmo para trás, não podería-mos estragar tudo agora...
não nos cabia interromper novos laços, seria injusto com outras pessoas.
Estamos ainda ligados,somos cumplíces de um desejo retraído...
mas sei que ainda não é tarde.
Nunca será tarde quando algo fica inacabado.








quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Abismo




Não quero mas estar por trás das paredes.
Não.
Sou livre feito o vento tempestuoso dos tornados...sou a viúva que pranteia pela vida.
Quero desvendar abismos, sou forte!
A escadas sem fim do meu inconsciente são escorregadias, porém convidativas para a descoberta... sim. Estarei encontrando os caminhos.
Escalarei telhados, tenho garras,nunca olhei para trás...não posso cair, naõ devo cair.
Mas a libertação não vem de imediato, necessita de cuidado para não perder-se na estrada... ser sutil,maliciosa.
Não viverei os sonhos alheios como se a mim pertencesse, não possuo esse direito...mas quero sentí-los, ouví-los e imaginá-los.
Naõ saberia viver sem essa agonia, sou inconstante, sou uma libélula insistente que não quer enxergar seu rumo.
Meus passos são rápidos, sou incansável e voraz...não tente me desvendar de imediato, poderá arranhar-se.
Não quero laços, não quero que saibas quem sou de fato...sou icógnita isso é fato.
Quero atenção! Mas não quero perguntas exatas...respostas sensatas.
Por que saber quem realmente sou?
Se nem eu mesma quero! Meu mistério pertence a noite, minha música as entranhas escuras...sou da lua, não me encontro com o alvorada.
Respiro o ar frio gelado da madrugada, sinto prazer nisso...em contemplar as estrelas como se minhas fossem.
Viajo nas árvores secas que abortaram suas folhas em direção qualquer... gosto de árvores secas.
Prefiro dizer que sou o seu maior desejo...sou a imagem que sua história ainda não revelou,um abismo sem fim que possa estar cedendo...mas vivemos de incertezas, cheiramos aromas diversos, porém apenas um nos agrada.

domingo, 21 de novembro de 2010

" Um último Adeus"




Sinto tanto frio! Sinto tanta saudade!

Ainda me recordo quando segurando Sua mão...mostrou-me o balancinho que fizera.

Senti uma alegria tão grande que corri e chorei. Jogada na cama,com as mãos na face,sem entender.

Até pouco tempo atrás, não entendia porque sempre que ganhava algo de que gostava,corria para a cama e chorava.

É estranho, não sei ao certo quantas vezes repetir esse gesto.

Mas de que adianta tentar entender o por que das coisas. Tudo é tão incerto!

Somos tão egoístas! Mascarados,insensatos por demais.

Sempre soube que o não teria por perto. Meu herói,digno, honesto.

Sinto tanta falta! Ninguém imagina o que guardo dentro de mim, as lembranças mais simples da tua dedicação.

Os momentos eternos á admirá-lo mostrando-me sua escultura tão perfeita ,feitas por suas mãos num momento mágico.

Das tuas palavras estranhas ao meu ouvido infantil, tua língua estrangeira.

Mas o tempo passa, as coisas de criança também. Tornei-me mulher e tua representação!

Observei todos os teus passos e mantive seus conceitos...fui doce,amiga,forte e simples...assim como tú.

Nossos caminhos tantas vezes tornaram-se vazios, uma espera dolorosa que nunca acabava.

O tempo nosso maior inimigo tinha pressa!

Minhas forças quase esgotadas pedia socorro...tempo.

Não fui dona do relógio da vida, não pude parar os ponteiros que lhe empurrava para o desfecho final.

E então...como um ser supremo digno de todas as honras, descansou aos pés da tua mãe.

Agora estou eu aqui...Contemplando essa lâpide que descansa teu corpo inerte, que tantas vezes esteve altivo.

Sinto frio, você não está aqui...Cheguei tarde em terras estranhas, para dar um último adeus,
Pai.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

" Fuga"






Amanheceu enfim...

As horas infinitamente não passavam...e eu, atordoada em meio a pensamentos perdidos.

Rolando por sobre os cobertores,

desejando rasgar o peito e não possuir mais um coração.

Naõ quero mais sentir essa euforia,

naõ estou preparada para tirar o véu que cobre meus instintos, que me deixariam vulneráveis.

quem poderá entender-me? Estou desejosa de vencer meus anseios...mas, sinto um medo,uma espécie de sensação de invasão.

Nunca me senti tão dominada, estou a ponto de perder os limites que me fariam frear...Você!

Sim, por mais que eu possa negar...

a pele sentiu arrepios,

o corpo inteiro dançou uma valsa triste e solitária,

febril e com a garganta seca só sentia fome... de você, de dizer o por quê de tamanha fuga.

Não quero que me perca de vista,não me detenhas...sou uma mulher que preciso ter limites também.

Não devemos chegar á Marte tão rápido...podemos nos queimar intensamente, sabe do que falo... somos quentes!

O inferno me fez um convite para que não o deixasse ontem...quase cedi.

Sem você parece agora que não encontro paz,

Tirou-me o equilíbrio que precisava, não esperava que meus pensamentos só tivessem uma visão...você!

Angustiada e dolorida seguirei em frente, sou uma destemida ...quando preciso ser.

De todas as minhas fontes de inspiração, a que mais chamou-me atenção por mero detalhe...foi você.

Não precisou amar-me,

Não queria ser amado,

Apenas ama o amor!

Não queria saber meu passado,

Apenas viver a glória de expressar o prazer...

De ter uma missão ... desvendar passo a passo meus secretos desejos... e depositá-los em suas mãos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

" Um sonho perfeito"






Sentada no no leito sagrado dos amantes, mirando teu corpo adormecido e entregue.
Um sorriso no canto da boca, e o gosto fresco dos teus beijos ainda a deixar-me louca! Contemplo a imagem perfeita,digno de semelhança da obra mais completa que Michelângelo esculpio.

Suas mãos meu amado, com um deslizar suave ...lembra o tocar de um violino, a entoar melodias gitânicas.
Suas pernas, ah!... suas pernas verdadeiras colunas que sustentaram o templo de salomão.
Seus dedos a dedilhar-me por inteira tocando melodias de prazer, num frenesi estérico!
Meus cabelos deslizando-o por inteiro, semelhante ao cobertor que te envolve e aquece!
Minhas coxas amado, entrelaçando teu ventre feito serpentes numa dança selvagem!
Tocando em meus lábios, a faca afiada que é sua língua,deixo escorrer o sangue doce que tanto quer!
Em minhas mãos agarro teus cabelos,envolvendo-o contra o meu peito e grito que te quero!
Não te largo um só instante, te abraço forte, canto ao seu ouvido a música afinada dos amantes.
Enquanto unidos numa só linguagem, os sussurros inquietos tornan-se mais constantes!

Tu me olhas e enxergar-te a ti mesmo! Somos um nesse momento, somos sangue e artéria,somos belos,somos "volúptia" !
Em tuas mãos tens a fruta mais doce da estação, o cálice perdido e tão desejado,as pérolas de Málaga.
Mais... ainda dormindo desse sonho prometido,deito-me ao teu lado e fecho os olhos para não acordar!


















segunda-feira, 15 de novembro de 2010

" Súplica "


Espere um pouco... não vá ainda, tenho medo! Deixe-me ao menos terminar esta súplica ao criador.
Trancada em minha clausura,em meios as teias que adornavam aquele ambiente sombrio, falava com meu reflexo no espelho e...murmurando palavras deconexas, sentia tremores e expectativas.
Lá fora, a noite solitária feito eu, admirava o luar encoberto pelas negras nuvens.
Clamava aos prantos, que me enviasse um anjo...um salvador! Que me tiraria desse encanto, quebrando as algemas e me levasse para longe se assim fosse.
Os Olhos úmidos e o coração partido, olhando pela janela a dança das folhas nas árvores.
Como queria ser folhas! Folhas não choram,não amam,não esperam. Simplismente caem na hora certa e são arrastadas sem destino.
E eu, Quem me leva? Sou esposa da solidão dolorida e passiva!
Sou uma Eva... culpada e banida,
Sou uma Salomé...esperando na bandeja, por um coração despedaçado.
Sou Roxana... que lutou invejosa por um amor não correspondido.
Sou mais uma sonhadora... em tempos de guerra, uma Helena de tróia!
Posso ser quem minha vida designar, já fui todas elas e meu tempo não cessou.
Da minha torre sou um conto épico esperando ser contada,aclamada,lembrada!
Da minha oração contínua sai lágrimas,esperança de ser novamente encontrada.
Da minhas noites febrís, procuro o bálsamo para minhas enfermidades .
As vezes me entrego cansada, ao sono que vela meu semblante vazio...porque foram tantas mulheres que vestí, foram tantas paixões impregnadas.
Foram tantas promessas esquecidas... e acabei aqui,nessa torre trancada a te esperar... sem um rosto!

" Ecos "






Sinto o vento gelado a bater em meu rosto pálido,sombrio e triste!
Escuto aos pés da imensa pedra,os ecos fúnebres das ondas num vai e vem sem fim.

O ar cinzento da tarde,me trás lembranças dos tempos em que era apenas uma criança...pés descalsos,risos soltos a ressoar pelos ares.

Onde se perdeu tudo isso? Não encontro mais a larva que rastejava na terra molhada, ou a raposa imponente que rasgava seu olhar faminto, á certa distância .

Quero viver minhas boas lembranças! Quero sair de manhã cedo,deitar nas folhas secas do outono e sentir o cheiro da torta, de todas as tardes!

Não sou mais aquela criança. Sou uma doidivana...mulher vazia,beirando a loucura de divagar em imagens perdidas.

Tudo é tão incerto...quarto sombrio,uma luz de vela aos fundos, o meu expectro gemendo de dor!

Pareço-me agora um quadro de Monet, que de tão belo no passado,perde-se as cores,foi largado num canto úmido e empoeirado deixando-lhe desfigurado...imagem da solidão.

As memórias do que vivi são belas! Mas as que reneguei ,são fantasmas arrependidos!

Daria tudo para acordar ! Faria de tudo para trazer minha vida de volta...calma,serena, como outrora.

De novo ouço os ecos...pássaros entrépitos a romper as nuvens numa dança de migração,estalos de alguns galhos feitos por animais correndo...e, posso ouvir muita coisa agora, estou sozinha em meus pensamentos, queria ouvir seus passos, "Vida", que faço agora?

sábado, 13 de novembro de 2010

"Psique"


Ó amado entre os deuses...dou-te as mais belas pérolas que caem dos olhos meus.
Entre os mais adorados estas tú... estátua magestosa do museu encantado de meus devaneios.
Que há por dentro desse teu peito? Lâmina afiada ,que corta por etapas minhas esperanças.
Sou deusa, sou a filha pródiga que sai a te procurar, como as sentinelas dos jardins da Babilônia.
Teu encanto é minha pressa e quanto mais espero me acelera a paixão.
Vasta dor, me espreita a escuridão...quarto frio,sem estrelas, lembrando as làpides que repousa as virgens enterradas por desilusão.
Tenho sede, e não encontro o líquido abundante que o doce dos teus lábios me negas, há meu amado!
Sairei a buscar-te. Se souberes do meu amor, das minhas reais intenções...não vacilarás, jamais!
Devastarei,se preciso for territórios distantes,mares, e vulcões...serei uma serpente pelos desertos, uma fenix a voar.
Sei de teu passado,dos teus anseios e remorsos...sei que desejas amar e ser amado e que escondes uma face que tento encontrar.
Abismo secreto que seus olhos não mostra...véu de desilusão,até quando?
O amor clama por nós, os invejosos morrerriam do próprio veneno se assim fosse.
Pra que esperar? não sei se resisto por muito tempo! Tenho pressa, tenho sangue,tenho um quadro imaginário....pintado "Você".
Sou uma sobrevivente das correntes tortuosas das paixões, sou Psique e quero meu Eros...vou desbravar montanhas e chegar ao braços teus.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Encontros












Há encontros vendavais e...

encontros brisas,

Há desejos de conquistas e...

desejos banais,

Há permissão de entrar em nossa vida e...

descaso ao sair sem dizer nada,

Há um desejo de morte quando se perde quem ama ,mas ...

um desejo de encontrar alguém que nos ame de fato,

Há um medo terrível de viver novas aventuras e...

perde-se a chance de ser feliz como nunca!

Há desafetos que nos marcam,corroem,mutilam,mas...

existe um remédio esperando para ser bebido,

Há uma impressão que persiste na barreira de encontrar um novo amor,mas...

um novo coração está louco para ser resgatado,

Há pessoas belíssimas querendo cantar ao nosso ouvido, e ... tem músicas que embalarão nossa dança,

Há uma fé incondicional de encontrar o ser perfeito, mas...perfeito é quem se entrega verdadeiramente,

Há você que me lê agora,querendo descobrir os segredos da felicidade e não permite-se correr riscos,Tente!

Há no mundo uma passagem que não se compra,viaja-se á todo instante,compartilha-se no íntimo,eleva-se em pensamentos e... de repente sem perceber,estará embarcando em alguma história que nem imaginaria !



sábado, 30 de outubro de 2010

" A Linguagem do Amor"


Sopro divino, imagem holográfica registrada em minha mente.
Fascínio em forma humana, quebrando barreiras,incertezas,distâncias...navegar em tuas palavras é padecer, sem poder beber de perto,o que sai de tua boca...voa,vem pra mim, tenho colo,tenho afeto,sou um aconchego nos dias frios,seu verão intenso! Sua tempestade.
Coração magoado,ferido,desgastado...tenho as ferramentas,sou precisa em concertar erros do passado.
Dai-me uma chance, derradeira se for, mas aceita-me em tua vida, serei teu farol te guindo pelas noites á fora.
Dai-me ouvidos,acredite no que digo, aceita amado, aceita o que de verdadeiro te digo.
A vida acostumou-lhe a desconfiar,regeitar,retroceder... não chores dores petrificadas, serão mais dolorosas e cansativas.
A vida quer lhe presentear! Ser um natal contínuo,neve todo o ano, sinos tocando...serei eu, a te doar.
Naõ bloqueie a passagem de uma nova oportunidade, rasga os vestígios da solidão,entra na roda e baila comigo...Nossa dança em núvens de algodão.
Seja minha criança, quero dar-te proteção,afago e segurança...Chegarás a mim sem medo ou desconfiança.
Vou te seguir se preciso for, alcançarei o inimaginável, falarei a língua dos anjos...mas é a tua que me encanta! Serás meu guia aqui na terra, e eu tua devota, cantando louvores ao nosso encontro!

domingo, 24 de outubro de 2010

Cora...Coração!









Corações são como... feitos de papel... dobram-se como origames ,escrevem-se páginas de alguma história bem ou mal contada.
Corações são crianças gulosas...fartam-se de seu doce preferido até dormirem enjoadas.
Corações são pérolas verdadeiras...mas há pérolas falsas, nos enganam com sua beleza e perdem o fascínio quando se quebram.
C
orações são estações de trem fantasma... ouvi-se suas batidas apaixonadas e seus trilhos são feitos de fumaça.
Corações são ondas nervosas...mar revolto em tempos de inverno...pescadores lançando suas redes, barcos a deriva, sem volta,.
corações são diamantes brutos...necessitam serem lapidados...custam caro,são duros...mas tem um brilho sem igual, aos olhos de quem se ama.

domingo, 10 de outubro de 2010

"QUIMERA"









De onde vem essa ânsia vertiginosa de conhecer-te?
Homem do vento, a quem te perteces de fato?
Não posso invadir sua alma sem que permitas.
Sou noiva da noite, vago pelas madrugadas ,rodopiando os sonhos alheios.
Brigo com a lua ,ameaçando tomar seu lugar! Que insólita que sou.
Perigosa,traiçoeira, se me atinges no alvo!
Sou princesa, sou o lago de Narciso, o leito do Rio Nilo, sou o fogo que incendiou Roma.
Simplesmente sou...
As ruas de Sevilha,
Um touro em batalha,
Uma dança cigana,
Uma promessa no santuário,
Estação sem trem, deserto sem miragem.
Sou uma mulher tentada, desposada,ousada.
Mas tú , quem és?
Não vejo teus olhos,
Não sugo teus lábios,
Não sinto seu abraço,
Apenas o salvo.

Protejo de sí mesmo, dos seus medos e prisões.
Não fujas.

Deixa eu ser seu leme, a guiar-te pelos mares, a treinar tua mira em matar-me!

Mate-me, mais mate-me de amor.

Transforme essa dor, essa perda em prêmio!
Receba o que de direito lhe ofereço, sem preço, gratidão.
Amor, amor, meu amor!
" QUIMERA"

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

" Meu Encanto"

Meu cantar é uma oração a imagem, doação de letras suaves a expressar todo encanto!
Meu amor é um soneto antigo,sábios acordes a vibrar em teus ouvidos!
Meus beijos para o meu amor, são pérolas preciosas,escondidas no fundo de uma cocha fechada,tragada pelo oceano!
Meus dedos são para o meu amor as teclas de um piano imponente,tocando sons eruditos que extravasam a sua alma!
Meus contornos são para o meu amor, uma valsa vienense,rodopios de prazeres,numa dança inconsequente!
Meus caprichos são para o meu amor ,facetas de menina dengosa,mulher faceira,pedindo sempre atenção!
Meu andar é para o meu amor,uma ventania em fim de tarde,balançando todas as árvores,exalando perfumes primaverís!
Meu prazer é para o meu amor,uma sintonia de pássaros selvagens, lúdicos e suaves nas tardes antes de dormir!
Meus olhos são para o meu amor, espelhos refletindo na alma, generosos e profundos exprimindo todo amor em face!
Meu amor é para mim tudo o que faço,
tudo o que cheiro,
tudo o que agarro,
tudo o que almejo,
tudo o que desespero
tudo o que bebo,
tudo o que levo,
tudo que sai, e tudo que entra,
tudo que vem e tudo que volta,
tudo o que pratico e tudo que ensino,
tudo o que esperei, e tudo recebido!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

"Devoção"

Vem meu amor!
Vem,vem depressa, sem medo,sem dor!
Vem meu pastor!
Vem guiar tua cria, que te dar tanto...tanto amor!
Sinto tanta saudade! Quando te somes das minhas vistas.
Vagar nos teus sonhos mais devassos, de menino safado,criança traquina!
Há meu amor,que tormento!
Quando me toma em teus braços, abalando as minhas estruturas. Sinto perder o chão, sinto o tremor de tanta devoção!
Será correta essa aflição?Será possível entender qual a razão?
Por que entender?Pra que?
O abismo que nos separa iguala ao rio com o oceano,
O Céu com o inferno,
A terra e o ar,
As artérias sem o sangue.
Meu intenso amor! A vastidão de perder-te é fatídico, chego a ter convulsões em pensamentos.
Estarei esperta, farei vigília em teu coração,abrirei trincheiras se for preciso!
Mas não aceitarei perdê-lo, não novamente!
O tempo nos amadureceu, nos fez acreditar que a vida é cíclica.
O tempo nos marcou em estradas diversas,
Caminhos importantes para reinventar-mos nossa história,
Acreditando que todo sonho é realizável,
Que todo amor pode ser generoso,sincero,paciente e completo... e que jamais estará perdido,
Jamais fugirá dos seus termos,
Jamais apagará a chama,
Jamais ficará um sem o outro.
E jamais haverá um adeus, de fato.

Laura*Esperança

sábado, 2 de outubro de 2010

" Toda Mulher"






Quando se tem sete anos. Ama-se o cão, o gato, o papagaio e as bonecas.
O tempo vai passando, chega-se aos dez. O coleguinha da classe é o mais bonito do mundo! Os cabelos não podem ficar desarrumados, nem pensar levar lancheira! coisa de criança. Ensaia-se o primeiro beijo na mão,no espelho,na laranja,na porta do armário. e se duvidar ...sabe onde?! Mamãe levar até a porta da escola?!, é de última! Garotas de dez anos sabe andar sozinhas. Irmaõ a tira -colo? É a morte! As brincadeiras inocentes dão lugar as insinuações mais diretas. Fica-se vermelha ao pegar nas mãos, o rosto queima, o corpo vira geléia de morango. Mas quando chega-se ao quatorze anos...Ufa! Áí é problema puro! Os hormônios estão em alta, quase gritando! O corpo está mudando seus contornos, a voz está mais delicada porém decidida. O beijo certamente não é mais improvisado. Ama-se nessa idade: O professor, o dentista, o ídolos do rock,os modelos, o namorado da melhor amiga e aí vai... Aos dezoitos anos, muitas já tiveram sua primeira noite tão esperada! Satisfatórias,delicadas,desajeitada,inexperientes. Algumas dolorosas por serem rejeitadas,humilhadas,violentadas no seu pudor,trocadas por outra mais nova, ou naõ. E por aí vai... Aos vinte e oito anos, torna-se amante de algum homem infeliz no casamento ou apenas um bom vivant! Entrega-se pensando que vai ganhar a partida, as vezes sim , ou sai derrotada levando seu cartão vermelho. Possivelmente estabiliza-se em um bom emprego,ganhando presentes do chefe babão ou por mérito também.
Trinta e cinco anos. Já foi noiva abandonada,casada,divorciada e não sai dos barzinhos ouvindo MPB curtindo a solidão. Outras são bem resolvidas e vão a procura de diversão apenas. Voltam para casa felizes, e partindo para outra no dia seguinte.
Outras vão molhar o travesseiro por que o cara da noite passada não mais ligou. E por aí vai...
Quarenta anos. É o momento em que todas as idades resurgem juntas,extravasando conflitos,medos,desejos incontroláveis,maturidade, senhora da situação,manipuladora.
Deseja uma noite com o melhor amigo,um caso com o Ginecologista,uma saída para dançar com o visinho que lhe devora com os olhos, perturba a consciência de muitos ,apenas para vingar-se de alguém do passado. E por aí vai... Chegando aos... Não vou prosseguir mais com a escala, por que estarei sendo injusta com algumas senhoras, se é que no íntimo de alguma mulher existe esse termo?! Toda mulher aos sete anos quer ter dez
Toda mulher aos dez quer ter quatorze . Toda mulher aos quatorze quer ter dezoito
Toda mulher aos dezoito quer ter vinte e oito
Toda mulher aos vinte e oito precisa da estabilidade da de trinta e cinco
Toda mulher aos trinta e cinco imagina chegar aos quarenta, E por aí vai... quem quer entender uma mulher?
Não importa como nasçam, cresçam,amadureçam. Sempre serão mulheres,frágeis,fortes,meninas,inconsequentes,ingênuas,espertas. Mas todas querem amar e serem amadas. LAURA ESPERANÇA

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

" Invasão"


Estante empoeirada,um abajour no canto refletia uma luminosidade nostálgica.

E eu alí. Olhar estático ,distante, perdida em mil pensamentos vagos e tristes.


Uma fumaça subia da chícara de chá, que logo torna-se-ia fria,sem ao menos ser provada.


Um aperto no peito,invadindo meu íntimo,querendo explodir de desejos, saudades e medos.


Foi muito intenso no início! Depois, aos poucos foi sumindo,sumindo e evadiu-se. Uma dor crucial dilacerando as entranhas,um súbito desejo de tê-lo,descobrir realmente seu ensejos. Mentira? Naõ dava para descrever.


Sei que tudo ía bem. Risos constantes percorriam nossa face feito crianças, não haviam cobranças, temor pro futuro. Apenas uma vontade de estar juntos todo o tempo.
E eu ,sempre a esperar. Feito uma peça de porcelana na estante,intocável e branca ,puro desejo de recordação.
Crueldade,amor doente. Chegou invadindo minhas estranhas, sem pedir permissão. Saiu,cortando as etapas dos meus ansêios sem dó, nem piedade.
O que me restou afinal? Ainda ficaram os espectros sinistros da dor rondando meus pensamentos. Sou como parte de um ambiente frio,solitário,inabitado.